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23 de Agosto de 2019

Os diferentes tipo de capital

Uma análise à luz de Pierre Bordieu.

Camille Barroso Silva, Advogado
Publicado por Camille Barroso Silva
há 3 anos

É comum relacionar a palavra “capital” diretamente com seu aspecto econômico, o qual diz respeito aos diferentes fatores de produção (indústrias, terra, trabalho etc.) e ao conjunto de bens econômicos (dinheiro, materiais etc.), o qual é acumulado e aumentado por meio de diversas estratégias de investimento econômico.

Ao desenvolvimento econômico, Bourdieu (1999) atrela também o investimento cultural e intelectual e a manutenção de relações sociais positivas nesse sentido. Essa ideia de que fatores primariamente não econômicos poderiam funcionar como o capital no que concerne o crescimento e desenvolvimento econômico e vice-versa fez surgir o conceito de outros tipos de capital: O cultural e o social.

Para Bourdieu (1999), o capital cultural pode se manifestar em três formas: nos chamados estado incorporado, no estado objetivado e no estado institucionalizado.

O estado incorporado diz respeito às disposições duráveis do organismo, tendo como principais fatores de constituição os gostos, o nível do domínio sobre a norma culta da língua vigente e as informações de caráter escolar. Pra que se possa proceder a acumulação desse aspecto do capital cultural, é preciso que seja realizado um trabalho de inculcação e assimilação de seus respectivos conteúdos, o que exige um grande investimento de tempo e trabalho a ser realizado pessoalmente pelo agente em questão. A família possui grande influência nas dinâmicas desse tipo de capital, uma vez que sua apropriação é grandemente influenciada por seus níveis de manifestação no ambiente familiar e a importância dada a ele.

No estado objetivado, o capital cultural existe sob a forma de bens culturais, tais como esculturas, pinturas, livros, etc. Os bens econômicos materiais exigem simplesmente capital econômico para serem apropriados, o que pode ser observado na compra de livros, a título de ilustração. Todavia, a apropriação simbólica destes bens faz necessária a garantia dos instrumentos desta apropriação e os códigos necessários para decifrá-los, ou seja, é necessário possuir o capital cultural em seu estado incorporado.

No estado institucionalizado, o capital cultural materializa-se por meio dos diplomas oferecidos pelas diversas instituições de ensino.

O termo “Capital Social” foi empregado pioneiramente em 1916, pelo educador Hanifan, nos Estados Unidos, ao fazer referência ao envolvimento da comunidade com o sucesso acadêmico, uma vez que trabalhava como supervisor estadual de escolas rurais em West Virgina. A concepção de Hanifan foi utilizada por teóricos de várias áreas das ciências sociais até ser reformulada na década de 1960 com os pronunciamentos de Jane Jacobs. Entretanto, ela não conectava sua definição de Capital Social junto às redes sociais firmemente. Mais tarde, o termo ganhou mais atenção e desenvolvimento por meio dos trabalhos de Robert Salisbury e Pierre Bourdieu. O termo se vulgarizou a partir do final da década de 1990 quando virou objeto de pesquisa do Banco Mundial e tema de diversas outras obras importantes.

Referências:

AZEVEDO, Rodrigo Ghiringhelli de. A força do Direito e a violência das Formas jurídicas. Rev. Sociol. Polít., Curitiba, v. 19, n. 40, out. 2011, p. 27-41. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rsocp/v19n40/04.pdf. Acesso em 19 dez. De 2013.

BELO, Fábio; LASMAR, Gabriela; RODRIGUES, Pedro Paulo. O inacessível campo jurídico: Breve leitura de O processo, de Kafka, a partir da teoria de Pierre Bourdieu. Disponível em <http://www.portugalmurad.com.br/artigos/o-inacessivel-campo-jurídico-breve-leitura-deoprocesso-de-kafkaapartir-da-teoria-de-pierre-bourdieu/>. Acessado em: 10 nov. De 2013.

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. 2 Ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999, p. 211-213.

PORTE, Alejandro. Capital social: Origens e aplicações na sociologia contemporânea. Sociologia, problemas e práticas. Nº 33, 2000, pp.133-158. Disponível em: http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/pdf/spp/n33/n33a06.pdf. Acessado em: 19 dez. De 2013.

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